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Juliana Godoy

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Bloqueios em Santa Catarina não representam todos os caminhoneiros

Entidades, caminhoneiros autônomos e transportadoras se manifestaram apontando coação por parte dos organizadores
Bloqueios em Santa Catarina não representam todos os caminhoneiros
PMRV/Divulgação

Para pressionar uma destituição dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), grupos de caminhoneiros e manifestantes mantêm nesta quarta-feira (8) bloqueios em diferentes rodovias federais de Santa Catarina.

Considerados ilegais pela Justiça Federal, os atos receberam ampla resistência dentro da própria categoria.

O número de bloqueios oscilou durante esta quarta, amanhecendo com seis e fechando o com dia 22 trechos obstruídos, segundo o boletim da PRF (Polícia Rodoviária Federal) publicado por volta das 18h. A lista completa pode ser conferida no fim da reportagem.

Nos atos, os líderes dos movimentos permitem apenas a passagem dos caminhões que transportam itens como medicamentos, oxigênio e produtos perecíveis. Para tanto, conferem na nota fiscal o conteúdo das carretas. Quem não se enquadra é encaminhado aos pátios ou aos acostamentos.

 

As obstruções se concentram principalmente nos municípios do Norte do Estado, e atingem cinco rodovias federais. Os municípios de São Francisco do Sul, Guaramirim, Mafra, Joinville, Araranguá, Guaramirim, São Bento do Sul, Navegantes, Gaspar, Xanxerê, Maravilha, São Miguel do Oeste, Garuva, entre outros, registram os atos.

Em alguns pontos, moradores favoráveis aos bloqueios organizam apoios pelas redes sociais, garantindo a entrega dos mantimentos e kits de higiene. “Permaneceremos até decidirem a substituição dos ministros. Mas garantimos que não acabará alimento”, afirmou na tarde desta quarta um caminhoneiro que integrava o bloqueio no km 25 da BR-101, em Joinville, e que pediu para não ser identificado.

“Estamos reféns”, afirmam caminhoneiros contrários

Além da reivindicação pela destituição do STF, os manifestantes pedem a realização da votação impressa auditável – bandeiras que não conversam diretamente com os anseios da categoria, a qual enfrenta altos preços de combustível e frete. Mas as pautas não são consenso entre os caminhoneiros autônomos e transportadores.

“Não somos necessariamente contrários ou a favor, estamos no meio. Pelo que estou entendendo, a organização é de um grupo da situação de Brasília, de fora, que usou os caminhoneiros embasados no movimento de 2018”, avalia Francisco Biazotto, presidente da Fecam (Federação dos Caminhoneiros Autônomos e Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Santa Catarina).

A paralisação afeta diretamente o trabalhador, que precisa da comissão das viagens para garantir um salário justo, afirma Luiz Carlos Buchele dos Santos, que atua como transportador e caminhoneiro autônomo.

“Tem muita gente infiltrada forçando a gente parar, estamos reféns. Quando param um caminhoneiro , todo mundo vai parando, mas não decidimos por isso. Porque somos obrigados a parar por uma reivindicação que nem da nossa categoria é?”, questiona.

Além da Fecam, foram contrários aos bloqueios outras organizações, como a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autonômos), a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina), entre outras entidades.

Desabastecimento e conflitos

Os atos registraram alguns conflitos entre os colegas de profissão. Alguns caminhoneiros que queriam passar pelos bloqueios foram agredidos pelos manifestantes. Em São Francisco do Sul, na BR-280, apoiadores ameaçaram jogar pedras nos veículos – situação que de fato ocorreu em Itajaí.

Em Guaramirim, os manifestantes bloquearam a base de armazenamento e distribuição da Transpetro – uma das quatro localizadas no Estado. Os caminhoneiros não puderam levar o combustível aos postos. Por conta do risco de desabastecimento, postos de combustíveis na região lotaram.

A Acats (Associação Catarinense de Supermercados) informou que as paralisações não afetaram a disponibilidade de produtos. A ADAC (Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses) optou por não se manifestar.

Duas decisões da Justiça determinaram a liberação dos trechos entre Paulo Lopes e a divisa do Rio Grande do Sul, região administrada pela CCS (Concessionária Catarinense de Rodovias), e também a livre locomoção dos caminhões da BRF na BR-116. O cumprimento das decisões deve ser garantido pela PRF.

Bloqueios registrados por volta das 18h

BR-280

  • km 1,4 – São Francisco do Sul;
  • km 11 – São Francisco do Sul;
  • km 55  – Guaramirim;
  • km 121 – São Bento do Sul; e
  • km 230 – Canoinhas.

BR-116

  • km 07 – Mafra; e
  • km 138 – Santa Cecília.

BR-470

  • km 4 – Navegantes; e
  • km 45 Gaspar.

BR 282

  •  km 507 – Xanxerê;
  • km – 606 – Maravilha; e
  • km 646 – São Miguel do Oeste.

BR-101

  • km 09 – Garuva;
  • km 10 – Garuva;
  • km 25 – Joinville;
  • km 72 – Araquari;
  • km 117 – Itajaí;
  • km 353 – Jaguaruna;
  • km 375 – Içara;
  • km 402 – Maracajá;
  • km 419 – Araranguá; e
  • km 451 – São João do Sul.

Fonte(s): FELIPE BOTTAMEDI E KÁSSIA SALES, FLORIANÓPOLIS E ITAJAÍ

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